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Entrevista [f.e.v.e.r.]

FEBRE SINTÉTICA

Os [f.e.v.e.r] regressaram em 2003 com o lançamento de um novo EP “Iconflict” e a reedição do seu trabalho de estreia “...Of Human Bondage”. O colectivo tem dado nas vistas com a sua sonoridade rock/metal de contornos electrónicos, o que acabou por lhes valer as honras de abertura para os H.I.M. no início deste ano nos Coliseus de Lisboa e Porto. A SounD(/)ZonE achou o momento certo para conversar com o guitarrista Luís Lamelas.


Como foi que aconteceu a formação dos [f.e.v.e.r.]? Sei que partiu da tua comunhão com o João Queirós em vários outros projectos. Como foi que tudo se desenrolou até chegarem a formar os [f.e.v.e.r.]?
Ambos tocávamos num projecto do qual nos decidimos afastar, mas não queríamos parar de tocar. Já nos conhecíamos há bastante tempo e decidimos continuar a trabalhar juntos. Falámos sobre conceitos, objectivos e criámos algumas músicas. Gravámos o material e procurámos elementos compatíveis com a direcção e conceitos que pretendíamos. Foi um processo normal.

Fala-nos um pouco do vosso background musical e do vosso ingresso no mundo do metal.
As minhas raízes, apesar de diversas, estão essencialmente no metal. Assim, nunca me condicionei na audição de outros estilos musicais que me despertassem interesse. Os outros elementos da banda também são pessoas de mente aberta e que de uma ou de outra forma também evoluíram dentro do estilo, mas sempre atentas a outras vertentes, em geral. Todos estivemos envolvidos noutros projectos ou bandas desde há alguns anos, portanto os [f.e.v.e.r.] serão o culminar do nosso crescimento a esse nível.

De onde parte o imaginário electro/orgânico que demonstram os [f.e.v.e.r.]? Digo-vos desde que já que me surpreende a vossa capacidade dentro do vosso estilo...
Agradeço as tuas palavras. Todo o imaginário do colectivo parte do nosso crescimento artístico e das nossas influências não só musicais. Todos temos um grande interesse pela arte em geral. Todas essas referências que nos foram marcando espelham-se no nosso trabalho. Tanto podemos discutir um tema de um livro, um filme ou mesmo de uma pintura e assumi-lo como algo a explorar pelo grupo. Mas a maioria esmagadora dos temas que temos explorado, apesar de alguns poderem ser algo comuns, têm sido criados, de raiz, pela banda.

O ano de 2003 mostrou-se muito importante para os [f.e.v.e.r.] já que surgem em força com 3 novidades: um novo EP, a reedição de “...Of Human Bondage” e um novo site muito requintado. Como se sentem em relação ao que já alcançaram até hoje e como tem sido as reacções aos itens que agora apresentam tanto cá como no estrangeiro?
Temos tido uma resposta muito positiva ao nosso trabalho tanto em Portugal como no estrangeiro, sem dúvida uma parte importante na motivação da banda, para continuar o trabalho constante que temos desenvolvido em conjunto com a RagingPlanet. Mas, sinceramente, não esperamos nada em concreto. Tudo o que puder acontecer, desde que nós estejamos satisfeitos com o que fazemos, será bom.

Como surgiu a ideia de reeditarem o vosso trabalho de estreia? A procura, felizmente, parecia estar a ser significativa...
Na altura em que lançámos a primeira edição, foi uma edição de autor essencialmente para dar a conhecer a banda. Fizemos alguma promoção, vendemos algumas cópias em concertos e em cerca de um ano esgotamos as 1000 cópias que tínhamos feito. Algumas editoras mostraram interesse em lançar o trabalho novamente, mas optámos por lançá-lo mais tarde, pois queríamos estar focalizados no lançamento do “Iconflict”. A proposta para lançar ambos ao mesmo tempo acabou por vir da RagingPlanet. Assim, fechámos um capítulo a abrimos outro!

“Iconflict” apresenta-se bastante “místico” e com um conceito bastante forte, como se quisessem conectar os ouvintes a uma corrente que os transporte para uma realidade que precisa ser vista e compreendida. Que realidade é essa? Fala-nos também do conteúdo dos samples que vocês retiraram da BBC.
O conceito do trabalho é baseado no presente “mundo humano”. O desacreditar, o conflito constante, as mutações ideológicas, os híbridos anti-natura, as réplicas forçadas, as novas doenças de foro psicológico... O animal supostamente mais inteligente na sua fuga idiota, sem qualquer saída, da Natureza. Os samples são essencialmente pedaços dessa mesma realidade “in loco” que acentuam a ideia pretendida em cada tema.

Como surgiu a oportunidade de vocês participarem com dois temas, em regime de exclusividade, no quinto volume da compilação norte-americana NFTU, a ser editada pela Invisible Records, editora do conceituado Martin Atkins?
Foi a própria Invisible Records que nos contactou para o efeito, depois de ter recebido o nosso material promocional. Um dos pacotes promocionais que não se perdeu no misterioso mundo dos correios... Ou noutro lugar qualquer...

Para além da evolução técnica que vos permite apresentarem-se, hoje, mais coesos que nunca. O que é que achas que mudou, para além disso, nos [f.e.v.e.r.] actuais?
A entrada do Sérgio Pencarinha (baterista), logo após a gravação do “...Of Human Bondage”, veio criar uma dinâmica muito mais forte nos ensaios e construiu a ponte ideal para uma melhor fusão do nosso som entre a parte orgânica e as máquinas. A entrada do Fernando Matias (o novo vocalista) abriu ainda mais os nossos horizontes a muitos níveis e nas mais diversas áreas. Estas “mudanças” no seio do grupo vieram criar um ritmo de trabalho mais intenso e que, de certa forma, nos aproximou.

Continua a ser muito difícil ser-se músico em Portugal?
Depende de como se quer levar essa carreira. A título profissional (aquele que paga contas…), num circuito independente e só em Portugal é praticamente impossível. Se se pensar para mais além fronteiras com um pouco de boa sorte e muito trabalho, talvez seja possível. De outras formas existem mais possibilidades… Mas, penso que nenhum dos elementos dos [f.e.v.e.r.] está interessado nessas.

Para quando um longa-duração dos [f.e.v.e.r.]?
Estamos neste momento a compor músicas para um longa-duração e já temos bastante material escrito, até já com alguns meses. Andamos a seleccionar o mesmo e a entrar em fase de pré-produção tema a tema, sem uma ordem concreta. Esperamos ter o mesmo pronto este ano… Mas, neste momento, estamos também bastante ocupados com a promoção do “Iconflict”, portanto a ver vamos…

Como vão ser os próximos tempos dos [f.e.v.e.r.]? Muitos concertos, muita promoção...
Sim. Vamos estar dedicados à promoção do último trabalho. Já temos alguns concertos marcados e estamos à espera da confirmação das datas de uma digressão que vamos fazer com os Bizarra Locomotiva, em Março de doze datas e por todo o país. Entretanto, aguardamos também a edição pela Tenser Records, de um split picture disc em vinil de 7”, com os Aenima.

Nuno Costa
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