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Review

DARKSIDE OF INNOCENCE
“Infernum Liberus Est”

[Edição digital]

É uma sensação estranha pegar a essa altura neste álbum quando este já foi atirado para "trás das costas" e pretendem os seus autores que seja um mero memorial de início de carreira. Previsto para ser editado fisicamente, “Infernus Liberus Est” acaba por estar disponível apenas na internet já que a banda defende que o atraso no seu lançamento já não justifica o investimento, pois, de momento, a banda almeja novos caminhos criativos. Mesmo assim não deixa de ser válido e talvez as reacções ao mesmo acabem, de certo modo, por orientar o próximo capítulo na sua carreira. Até porque valia a pena.

E se o termo Gnosis Metal é apenas um mera ilustração do conceito lírico da banda, já a sonoridade black/gothic/symphonic metal do grupo de Sintra não é resultado de um exercício extraordinário de originalidade. Porém, o mais importante, sim, é a forma inteligente como fundem todos esses elementos e lhea aplicam um ambiente épico, opaco e até certo ponto progressivo. A voz melodiosa de Sara Henriques bafeja esse material com uma doçura gótica enquanto que o gutural de Pedro Remiz contracena com a “bestialidade” que se pretende nesta fusão arrojada. Enquanto isso, é nos ambientes e arranjos clássicos que a banda encontra os seus maiores trunfos. Os violinos de “Once Upon Havoc And Despair” e os teclados de “An Impending Commence For Decay” são verdadeiramente profundos e encantadores, enquanto que as vozes narradas [embora não tão perceptíveis como se desejaria] ou até declamadas [em português] dão todo o misticismo que se pretende de um trabalho conceptual.

É na dinâmica entre paisagens pesadas de destruição e harmonias encantadas que reside o apogeu de “Infernus Liberus Est”. Tecnicamente a banda também apresenta os dotes suficientes para que tudo soe consistente. Já na questão, sempre delicada da composição, o grande desafio para os Darkside Of Innocence seria [caso se mantivessem neste caminho musical] criar riffs e ritmos, principalmente quando actuando “distorcidos”, que nos ficassem imediatamente na memória sem, necessariamente, parecerem superficiais. Isso também para fazer face a alguma monotonia que se instala num ou noutro tema.

Apesar de tudo isso e condescendentes com a circunstância de serem uma banda ainda muito jovem, o balanço é seriamente positivo. Abundam aqui ideias para se criarem muitas e boas malhas. A rodagem encarregar-se-á de tornar este num grupo de eleição do underground nacional.

[8/10] N.C.

Estilo: Black/Gothic/Symphonic Metal

Discografia: “Infernum Liberus Est” [2009]

www.myspace.com/darksideofinnocence
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